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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Despedida

Pegarei todos os meus sonhos e os despacharei
em envelope pardo, destinatário incerto, sem remetente.
Passarei um pincel escuro no arco-íris que inocentemente
eu desenhei, carregado de cores.

Amassarei de vez todas as flores de mentirosas esperanças
e arrancarei até mesmo os falsos botões que estão por vir.
Nublarei a noite quando ela me escancarar a lua cheia, apagarei
uma a uma, todas as estrelas que teimarem em tremeluzir.

Tingirei de cinza a manhã mais luminosa do meu
santuário emudecerei o canto do meu sabiá canoro
e não farei mais festa para o meu colibri.
Desfarei todas as pegadas do caminho,
onde os teus passos e os meus estiveram perfilados.

Encherei de colcheias e semifusas confusas todos os fados e
canções que arrancaram lágrimas deste meu coração emocionado.
Farei em pedacinhos,pequenas e grandes lembranças palpáveis,
sem esquecer aquele CD e o vestido de marquinhas,
aquele que você gostava, mas não chegou a conhecer.

Destroçarei também as recordações não palpáveis,
que um dia me deram provas incontestes do teu amor
E dizimarei todas as angélicas hostes que me
atrelaram a ti, esquecidas da minha dor.

E, se porventura em sonhos, minha alma desvairada te
buscar e, em prantos te encontrar andando pela rua,
Abraça-me, com aquele carinho de antigamente
Porque sonhando, nossas almas não mentem
E a minha te dirá que ainda...SOU TUA !
( Fátima Irene Pinto )

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