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sábado, 27 de dezembro de 2008

Em nossas mãos... o destino.

Mãos que afagam... mãos que salvam... O quanto da existência depende de nossas mãos? Já no nascedouro, duas mãos nos aguardam, nos amparam, e constituem nosso primeiro contato com o mundo. Duas mãos que nos seguram, que nos despertam para a realidade fora do doce aconchego do ventre materno... que nos levam a dar os primeiros gritos, de inconsciente alegria, inocentes protestos, demonstração precoce da vida a palpitar. Antes mesmo do nascimento, mãos se envolveram amorosamente, no processo de nossa fecundação... E nas veredas da existência, seguimos numa perfeita simbiose entre mãos e consciência; elas concretizam necessidades e sentimentos vários: na luta cotidiana pela sobrevivência, as mãos paternas a nortear; as mãos dos que labutam em diferentes atividades e ajudam a construir a evolução da Humanidade; as mãos do amigo em horas incertas e o roçar das mãos de dois amores no processo de realização dos sonhos mais íntimos... No entanto, essas mesmas mãos que produzem, acariciam e amparam podem se transformar em veículos de práticas nocivas, de crueldade: para tomar o bem alheio... para violentar o próximo e até para usurpar o direito de nosso semelhante à vida. Um leve toque de mão pode desencadear um cataclisma mundial. Se fosse possível às mãos tornar-se seres independentes, nesses momentos, o quanto de tristeza não sentiriam ao perceber que se tornaram instrumentos da perfídia humana... Cuidemos bem das nossas mãos... e não apenas em termos estéticos. Que entre as mãos e nossa consciência moral se estabeleça um perene vínculo de princípios elevados, para que elas signifiquem, sempre, instrumentos reais de semeaduras profícuas e pacíficas... Olhe para suas mãos agora... e reflita em que medida tem-se esforçado para que possa orgulhar-se delas.
( Oriza Martins )

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